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Senna – 26 anos sem

Foto: Martin Lee

Outro dia estava conversando com amigos mais jovens no grupo de Whatsapp do Tudo para Homens do Guilherme Cury e soltaram a pergunta:

Vocês que viveram a morte do Ayrton Senna, como foi o impacto nos dias seguintes?

Transformei meu relato nesse post em homenagem aos 26 anos do fatídico 1o de maio.

Como foi a comoção?

dia 1o. de maio de 1994. Eu estava vendo a corrida com o meu véio. 

Antes de falar do dia, eu preciso falar da sexta e do sábado. Na sexta eu estava na faculdade e o dono do bar de esfihas me contou que o Rubinho tinha batido bem forte. Fiquei por lá até passar o plantão de notícias.  No dia seguinte, sábado, na mesma lanchonete eu vi o acidente do Ratzenberger. Comentei com o cara – vai morrer gente nessa corrida, está perigoso demais. 

Voltando para o domingo, era um ritual. Acordava, preparava algo para comer e íamos assistir a corrida. Fazíamos isso desde 1983/84 com o Piquet. 

No acidente da largada eu disse novo, vai morrer gente, tem de parar essa merda. Cinco voltas depois, a porrada no muro. No mesmo muro que o Berger havia quase morrido queimado uns anos antes. Galvão mudo na tv depois do arrepiante “Senna bateu forte”. Foram alguns segundos de silencio agonizante até ele voltar, o carro de resgate chegar, o helicóptero. 

Saí da frente da TV e fui estudar. Estava no primeiro ano da FEI, fazendo engenharia mecânica com foco em automobilística. Mas não rolou estudar. Fiquei ouvindo o Claudio Carsughi (uns anos atrás eu tive a oportunidade de conhecê-lo por conta dos lançamentos de carro da Ford) na Jovem Pan e ele trazendo as notícias das centrais de notícias europeias e foi da voz dele que ouvi que havia sido declarada a morte encefálica. 

Acabou com o meu dia. Não teve estudo, não teve almoço. Saí para buscar minha irmã na casa de uma amiga e tive a sensação de que a cidade estava em câmera lenta. Carros devagar, muitas caras vermelhas de choro. 

Quando chegou a noite, percebi que estava com febre e alta. 

Os dias seguintes só tinha isso na TV (e eu em casa com febre, consumindo tudo). Se não me falha a memória, o corpo chegou na quarta pela manhã lá em Cumbica. A Varig (maior cia aérea do Brasil naquela época) tirou poltronas da primeira classe para que o caixão viesse ao lado do Leonardo Senna, do Galvão e do Bira (empresário amigo do Senna que saiu de Portugal para ajudar no desenlace do corpo). 

O caixão saiu de Cumbica no carro dos bombeiros (para quem não é de São Paulo, Cumbica fica em Guarulhos, mais ou menos uns 20 Km de São Paulo vindo pela Rod. Presidente Dutra) “escoltado” pelo helicóptero da Globo de lá até a Assembleia.  Não teve NENHUM trecho do caminho que não tinha gente nas laterais para ver o cortejo. Em toda a estrada, na marginal Tietê, Av. Tiradentes, 23 de maio… 

No dia seguinte foi o enterro e o caminho até o cemitério também foi repleto de gente. 

São Paulo ficou uns quinze dias em câmera lenta. 

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